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Governo de Minas não detalha medidas de economia de água para indústrias
03/02/2015

Governo de Minas não detalha medidas de economia de água para indústrias

Campanha da Copasa prevê economia de 30% para moradores em Minas

Enzo Menezes, do R7

MMX é investigada por lançamento irregular de rejeitos em um dos sistemas que abastecem a região metropolitana de BHCopasa / Divulgação

Com a constatação de que a água da região metropolitana de Belo Horizonte acaba em agosto, mantidos os atuais níveis dos reservatórios, a Copasa propôs o esforço para que moradores de Minas economizem 30% do atual consumo. Até agora, entretanto, não foi detalhado um plano de economia para os maiores "vilões" do gasto de água: indústrias, mineradoras, agronegócio e pecuária.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que as campanhas para economia em residências são essenciais, mas podem não surtir efeito se não houver uma ação para os grandes consumidores. Além disso, para cada 10 litros captados, quatro são perdidos em vazamentos da rede da própria Copasa antes de chegar às torneiras.

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R7 procurou a Copasa, a Secretaria de Meio Ambiente e o Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), para saber quais medidas deveriam ser adotadas pelas indústrias mineiras ou se haveria redução na captação de outorgas - autorizações das indústrias para captar água do solo. Nenhuma ação prática foi informada. Segundo o Igam, as outorgas "podem ser suspensas parcial ou totalmente ou ter suas condições alteradas" em caso de "necessidade de se atender a usos prioritários e de interesse coletivo". O órgão esclarece que qualquer medida só será tomada "após a finalização do estudo de escassez hídrica".

Perdas do sistema e outorgas

O ambientalista Apolo Heringer acredita que o valor irrisório cobrado das indústrias pela água desestimula qualquer economia.

— Estes setores utilizam água quase de graça, os contratos estipulam até R$ 0,01 o litro. Qual estímulo vão ter para economizar? Não vejo medidas de economia para os grandes consumidores, será que o Governo e a Copasa não sabem quem gasta mais? O que falta para distribuir é o que está sobrando do outro lado da captação.

Para o coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas e Recursos Hídricos da UFMG, Carlos Barreira Martinez, o problema é o desperdício da própria Copasa, que hoje chega a 40%. Em São Paulo, as perdas da Sabesp atingem 30%.

— Os níveis internacionais mostram que as perdas estão em torno de 15% a 17%, então 40% é muito alto.

Ele acredita que estamos mais perto de ficar sem luz do que sem água.

— As outorgas podem ser revertidas a qualquer momento, pois a prioridade é o abastecimento humano. Não acredito em catástrofe. Já a situação energética é deseperadora, pois é necessária uma vazão muito maior e convivemos com uma crise política no setor.

Terá pouco efeito punir o consumidor sem frear a destruição das reservas que cercam os mananciais, segundo o promotor Mauro Ellovitch, coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba.

— Não adianta tomar medidas paliativas e economizar na torneira se o sistema de manancial tem problemas de impermeabilização do solo e rebaixamentodo lençol freático. Com essa situação de crise, precisamos discutir as políticas que estão sendo adotadas, se estão levando em conta o abastecimento humano como prioridade. As concessões de outorgas estão proporcionais? É preciso discutir essa estratégia.  

É um risco, para Carlos Martinez, interromper outorgas de indústrias.

— Não podemos falar em "vilões". É um setor que gera milhares de empregos, um impedimento vai provocar retração.

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